Deitada sozinha em sua cama,

ela se lembrou de noites vividas

tantos anos atrás.

Lembrou-se do fogo que lhe ardia o corpo,

da boca seca na ânsia de beijos molhados,

de braços que nunca ficavam inertes,

enlaçados que sempre estavam no corpo dele.

Lembrou-se do sono trocado por sussurros e gemidos,

por embates suaves que traziam prazeres imensos,

por sonhos que eram deixados por um amor que se consumava.

Era o corpo dela colado ao dele.

Como uma tatuagem, com pingos de suor,

com respingos de amor imenso.

Hoje, deitada sozinha,

além das lembranças e da saudade que machucam,

sem sono, de olhos abertos,

a sua companhia é um teto branco,

testemunha dos desejos saciados,

dos carinhos trocados,

quando ela se entregava mais do que recebia;

do amor feito sem pudor, dissipando barreiras,

numa tentativa maior de fazer do que de ser feliz.

E as lágrimas vêm, tentando ser uma cortina

de esquecimento em seu coração.

E vêm o vazio e a certeza de que

não haverá noites iguais, amor parecido.

E o teto branco como testemunha.

 






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