Deitada sozinha
em sua cama,
ela se lembrou de
noites vividas
tantos anos atrás.
Lembrou-se do
fogo que lhe ardia o corpo,
da boca seca na
ânsia de beijos molhados,
de braços que
nunca ficavam inertes,
enlaçados que
sempre estavam no corpo dele.
Lembrou-se do
sono trocado por sussurros e gemidos,
por embates
suaves que traziam prazeres imensos,
por sonhos que
eram deixados por um amor que se consumava.
Era o corpo dela
colado ao dele.
Como uma tatuagem,
com pingos de suor,
com respingos de
amor imenso.
Hoje, deitada
sozinha,
além das
lembranças e da saudade que machucam,
sem sono, de
olhos abertos,
a sua companhia é
um teto branco,
testemunha dos
desejos saciados,
dos carinhos
trocados,
quando ela se
entregava mais do que recebia;
do amor feito sem
pudor, dissipando barreiras,
numa tentativa
maior de fazer do que de ser feliz.
E as lágrimas
vêm, tentando ser uma cortina
de esquecimento
em seu coração.
E vêm o vazio e a
certeza de que
não haverá noites
iguais, amor parecido.
E o teto branco
como testemunha.

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No ar desde 01/07/2008


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