Não houve tempo para o beijo
de despedida.

Nem mesmo para um abraço apertado.

Tanta coisa ficou pela metade.

O livro em sua cabeceira.

O seu café sobre a mesa.

O jornal daquele dia que
não chegou a ser lido.

O seu doce predileto que
se perdeu na geladeira.

Foi tudo tão repentino,
momentos rápidos, fugidios,
como se a própria vida quisesse me poupar
do sofrimento que estava por vir,
da escuridão da noite
que se faria em minha vida.

E foi mesmo de repente.

A partida definitiva.

Aquele dia não foi como os outros.

E eu nem percebi.

Não tive a sensibilidade de notar
que cada um daqueles momentos
seria o último de nós dois.

Não haveria mais o beijo de bom dia,
a conversa gostosa durante o almoço,
o seu sorriso fácil
que inundava a nossa casa.

Não haveria a sua constante alegria.

Não haveria mais você junto de mim.

E agora, tantos anos passados,
tantos dias sem saber
como seria o amanhã,

tantas noites de lágrimas tantas.

Saudade?

Imensa, doída, eterna.

Pela metade me senti.

Mas pela metade você não me deixou.

Deixou pedacinhos de você
que ficaram comigo.

E hoje são você,
materializadas em minha vida.

E cada vez que as olho,
é o seu sorriso que me chega,
é a sua expressão de paz
que me tranquiliza o coração.

Elas.

O conforto que veio para que
eu conseguisse seguir em frente.


Em 18 de setembro de 2007





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