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Quem me dera eu
pudesse voltar no tempo
e ter tido a coragem de
te abraçar muitas e muitas vezes.
Quem me dera eu
tivesse conseguido
romper o respeito por mim imaginadamente imposto e me pendurado em seu
pescoço quantas vezes eu tivesse
vontade.
Quem me dera eu
pudesse parar o tempo
lá,
numa única vez em que me
lembro
de estar sentada em seu
colo, numa noite
de Natal,
seu rosto, sempre tão bem
barbeado,
roçando o meu
delicadamente.
Quem me
dera eu tivesse o poder de
resgatar o que não tive,
eu te abraçaria mil vezes,
diria que te amo outras
mil.
Quem me dera eu
pudesse ter mudado a nossa vida,
eu tudo faria para
que a nossa relação
fosse menos formal,
menos terno
e gravata,
menos palavras
dicionarizadas,
com muitos colos,
muitos beijos e abraços,
bagunças e "badernas",
carinhos de pai,
dengos de
filha.
Ah, quem me
dera voltar no tempo,
certamente a saudade que
sinto hoje
seria
do que vivemos
juntos
e não do que não tenho
para
sentir.
Quem me dera eu pudesse
ter você agora para te dizer que
a sua presença está
sempre
em mim
e em meus pensamentos,
pois hoje eu entendo
que a sua ausência
não foi uma opção,
foram momentos
de nossa
vida.
Ah, quem me dera, meu pai,
que,
onde você estiver, possa presenciar
que tenho tentado sempre seguir o exemplo
que
você nos deixou, trazendo, como você fazia no
eternamente de sua vida nesta dimensão, a nossa
casa aberta a todos aqueles que precisavam, as
suas mãos estendidas e o seu coração disponível
para aqueles que necessitavam de ajuda.
Foi através de seus atos que eu aprendi
a beleza
da doação ao próximo.
E foi esta a sua
vida
sempre.
Obrigada por ter sido o meu
pai.
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