Sem falar,
eles se pediam.
Ambos sentiam, até então,
a pele vazia de beijos,
Os braços tão embaraçados para abraços.
E o agir tornara-se difícil.
A expressão de um afagava a face do outro.
Era a máxima expressão de sentimento
que lhes era possível exteriorizar.
Tanto tempo entre grades e cadeados.
Grilhões e correntes.
Vontades e desejos não retribuídos.
Não sabiam mais como fazer.
Apenas se queriam com o olhar.
E se pediam.
Os corações estavam enferrujados, secos
e agora, olhando bem a íris do outro,
descompassados ficavam.
Mas não conseguiam se soltar.
Havia as correntes,
os grilhões que os prendiam.
E não eram matéria apenas.
E assim os olhares se desviaram,
cheios de saudade.
E a lembrança desse momento
acompanhou o outro
e a ele fez companhia em sua solidão,
em seu pequeno deserto
onde esse momento se fez eterno
para os fazer felizes.
Cynthia Andrade |