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Sinto agora necessidade de desacelerar o
meu destino,
acalmar minha caminhada.
Quero seguir observando mais
detalhadamente cada pedaço do meu mundo.
Quero estar atenta a tudo aquilo
que passar pela minha janela.
Quero ter tempo para mais tempo ter
e assim fazer o meu tempo.
Tanto de minha vida já passou,
tanto quis ter feito e
a vontade ficou lá no passado,
ficou na lembrança e até na
saudade de não ter feito.
Não quero ainda um tempo
parecendo passatempo.
Quero-o inteiro, intenso, como sempre vivi.
Me doando, me entregando, amando.
Quero um tempo que,
mesmo sem a pressa de antes,
deixe em mim marcas de emoções profundas,
sejam de alegria ou de tristeza,
de amor ou de saudade.
Não quero ficar presa ao tempo,
nem nele me sentir perdida.
Só quero um tempo meu para continuar
vivendo as tantas emoções
que em mim borbulham,
as fantasias que de mim fazem um carnaval,
as vontades que me trazem
sempre a esperança de que não
foi tudo que o tempo apagou.

Em setembro de 2008.
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