

Enquanto tantos correm às lojas
na pressa dos últimos instantes;
enquanto muitos se acotovelam
em busca frenética pelo melhor presente,
eu me recolho em meu silêncio
e em minha saudade.
Não tenho nada a buscar.
Mas o que sinto transcende qualquer matéria.
Você está em mim,
eterna e intrinsecamente,
da mesma forma como eu me sinto em você.
Certamente muito mais intimamente
do que se na mesma dimensão estivéssemos.
Hoje, quando posso beijar seu rosto
apenas em pensamento,
a saudade esmaga o meu coração
e eu gostaria de poder andar para trás
em minha vida e te ter novamente
na realidade do agora.
Diante dessa impossibilidade,
eu me ajoelho aos seus pés,
reverencio a minha vida a você,
que, antes e depois do começo de mim,
respirou por mim,
alimentou-se por mim,
ensinou-me a caminhar,
a falar,
a pensar no outro como um igual,
a abrir a nossa casa e o coração,
e, principalmente,
ensinou-me a ser gente.
Não importa quanto tempo tenha passado
vivendo com a sua ausência.
Você sempre será sentida
como um pedaço de mim que se foi,
como um elo que me ligava à vida e que se trincou.
Hoje, você é a ponte que me une ao outro lado.
Você, mãe, foi o início de mim e faz com que
eu não tenha tanto medo do depois,
pois sei que você estará me esperando ao fim
da minha caminhada.
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