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Queria me jogar ao mundo, mesmo que asas não tenha.
Queria mergulhar em mar profundo,
mesmo que nadar eu não saiba.
Queria emoções, coração disparado,
me arriscando em loucuras mil.
E não este presente apático,
perdendo o meu futuro a cada instante,
deixando-o dormir tão quieto
como uma tarde de calor intenso.
Sinto que só há um futuro:
aquele que nunca chega.
E meus sonhos estão cansados de por ele esperar
para então se concretizarem.
A vida acaba sendo uma utopia,
como se prosseguíssemos na
contra mão da história
ou na ré da correnteza das lembranças.
Acho que vou fazer um carnaval do presente,
fantasiá-lo de futuro,
tentando enganar o tempo.
Talvez assim os meus sonhos me encontrem
e improvisemos um roteiro feliz para a minha vida.
Sem que haja desencontros.
Sem que a areia suba e desça desgovernadamente.
Apenas que o futuro que tanto quero
venha logo e seja o meu agora,
que é para não mais enganar minha realidade
diante da felicidade que vivo apenas em meus sonhos.
Cynthia Andrade
Em 17 de novembro de 2009.
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