Ele surgiu como uma luz na escuridão.
Um facho pequeno, mas que foi capaz de
clarear-lhe o caminho
e mostrar a ela que a felicidade
poderia voltar um dia.

Era como a chama de uma vela.
Muitas vezes, a luz era tão tênue e
distante que a solidão lhe abraçava
inteira, deixando-a apática.

De repente, vinha novamente a claridade,
a luz que ele lhe proporcionava.

E assim, a vida levou os dois
por vários anos:
ela tentando seguir a luz
que emanava dele
e ele lutando sempre
para iluminar o caminho dela,
na certeza de que os dois se
encontrariam um dia.

A história não terminou.

A luz que ela também traz
dentro de si e que precisa
apenas de uma fagulha
para incendiar o todo
já não se encontra tão apagada.

Ela traz esperança,
vontades e desejos,
pois sente,
em um lugar profundo do seu corpo,
que essas duas luzes,
apesar de abstratas,
um dia poderão transmutar-se
em corpos, que, concretos,
explodirão em abraços
de nós górdios,
beijos colados,
línguas entrelaçadas,
pernas confundidas,
suores misturados,
corpos fundidos.

E a escuridão se fará
em espetáculo de fogos,
festejando desejos saciados.

A vontade que permanece.

O sonho que continua.

Cynthia Andrade        
Em 12 de fevereiro de 2008.        
 




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