Invadiram o sótão onde estavam guardadas
as minhas emoções.
Tiraram o pó de baús antigos
onde dormiam sensações já esquecidas.
Abriram gavetas e afagaram
desejos adormecidos.
Nos armários antigos tocaram em lembranças
cuidadosamente trancafiadas.
Todos os sentidos de minha pele
ficaram novamente expostos.
E bastou um beijo do sol para que todos
eles reivindicassem novamente a vida.
Tudo estava tão arrumadinho!
Havia cercas que os
isolava do mundo.
Havia trancas que os protegia da vontade.
Havia paredes que os escondia de mim.
E, de repente, um vendaval
e meu corpo acorda,
não sabendo se foge
ou se busca.
Se quer o encontro ou se continua
no abandono em que vive.
Cynthia Andrade
Em 21 de setembro de 2009. |