Sinto que estou esmaecendo.
Perdendo as cores como
uma fotografia antiga.
Deixando de ter o essencial
que me dava vida:
os meus próprios tons.
Vou virando preto e branco.
Um negativo de mim mesma.
É como um apagar da vida que se vai.
Não com a morte,
mas com a desvontade de continuar.
Meus sonhos se foram.
E eles eram minhas cores.
Assim, vontade alguma me vem
de perseguir meu colorido,
de tatuá-lo em mim novamente.
Melhor será continuar assim.
Embranquecendo em preto,
preteando em branco.
Até virar fumaça
e me espalhar com o vento.
Cynthia Andrade
Em março de 2009. |