Sinto que morro um pouquinho
cada vez que minha boca sente
vontade de tocar a sua,
mas a coragem não me permite.
Sinto que deixo de ser eu mesma
a cada momento em que o meu corpo sente
falta de abraço e o seu corpo está ali,
tão próximo do meu e, no entanto,
com um invisível muro a nos separar.
Sinto que me fecho em mim a cada noite
em que meu desejo quer se encontrar com o seu
e fazer um mundo de festa para nós dois.
Sinto.
E assim vou me recolhendo,
me fazendo cada vez mais só,
Numa vida de renúncias,
de solidão,
de mim somente,
não mais de nós dois...
Cynthia Andrade Em maio de 2007. |