Temo ainda não ter amadurecido emocionalmente.

Temo que a minha alma não passe de uma
adolescente sempre tão carente
de carinhos e afagos.

Temo que meu coração seja ainda tão insensato
que não traga em si qualquer racionalidade.

Temo que aquilo que ele me faz sentir traduz-se
na linguagem do corpo, em beijos e abraços,
em sonhos de paixão.

Tento, e por mais que eu tente,
não consigo cortar as asas que dão vazão
para tantas vontades.

Sinto que são asas de esperança,
que me levariam em busca da ausência que sinto.

Por mais rebelde que ele seja,
tento acorrentá-lo à minha consciência,
renegando as suas ilusões.

Tento ensinar-lhe a jogar fora seus sonhos
e viver a realidade.

Que ignore a fantasia,
que cale seus desejos
e viva mansamente
a sua vontade de assim ser.

Sei que se consumirá aos poucos, numa vontade
imensa de sair correndo do meu peito.

E assim sempre será.

Meu coração nunca estará vazio, apagado.

É como se não precisasse de mim para viver.

E assim caminhamos juntos há tanto tempo.

E assim iremos até o fim:
ele querendo o mundo
e eu querendo paz.

Cynthia Andrade





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No ar desde 01/07/2008






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