Embora conheça o ritual,
ela hoje renega o cotidiano.
Sente-se cansada da indiferença.
Vasculha o passado e encontra momentos.
Faz deles a sua felicidade.
E quer sua vida de volta.
Sabe que tem o acontecimento em suas mãos.
Só não tem a coragem de fazer acontecer.
Suas asas foram encurtando com o tempo.
Assim como as suas expectativas,
os seus desejos, as suas vontades.
Nem mesmo os sonhos são tão intensos
e vibrantes como eram ontem.
E acaba retornando ao ritual de sempre.
E vem a sensação de estar saindo
de dentro de um embrulho rasgado.
De estar sendo destroçada, despetalada.
Sua alma e seu coração imersos num vazio profundo.
E ela deixa as asas abaixarem, murcharem.
Não conseguiria mesmo alçar grandes voos.
E mais uma vez não se deu a chance de ser feliz.
O tempo passou.
A oportunidade se foi.
E ela se esqueceu de si.