Renunciei aos desejos do meu corpo.
Aceitei o vazio de beijos
em minha boca.
Me sinto resignada com
a ausência de suas mãos
me percorrendo inteira.
Tento me bastar sem
arrepios de paixão,
sem gemidos de prazer.
Quero não mais querer.
E assim, eu desisto da minha feminilidade.
Desisto de ser mulher.
Que é para não me sentir oca,
que é para não me ver vazia.
Que é para não ser
além dos meus sonhos
nem aquém do que já fui um dia.
Eu desisto de mim.
Cynthia Andrade
Em 24 de outubro de 2007. |