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Você se esqueceu como é
bom o passear de nossas
bocas pela alma do outro.
De deixarmos os nossos
sussurros tocarem os desejos
inconfessáveis de nossos corpos.
De prendermos o nosso coração
entre nossos braços,
em abraços de eternos laços.
Você se esqueceu a maravilhosa
sensação de mergulharmos
no infinito do outro,
fazendo arder chamas
de paixão intensa.
Você certamente se esqueceu
o que é o amanhecer suave
depois de um adormecer cansado
de mãos que palmilharam
territórios tão conhecidos,
atalhos aos poucos descobertos,
de bocas desvendando mistérios
e alastrando fogueiras.
Hoje, o que sinto em
meu coração são portas trancadas,
janelas que já não se abrem,
fechaduras enferrujadas.
E em meu corpo, fantasias imensas,
todas trancafiadas,
consequências de tantos
desejos reprimidos.
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