Dói quando nosso coração não mais tem atado o nó.

Quando a paixão nos desabita.

Pior ainda é quando a coragem da ação não vem.

E nos deixamos ficar.

Com laços desfiados, com olhos amargurados.

Com boca vazia, com mãos que nem mais pedem.

E de repente um refúgio.

No meio do caminho...

Uma cabana que nos agasalha do frio.

Da dor de sentir-nos tão desprotegidamente sós.

Acaso ou destino?

Mas foi no caminho...

Sem desvio ou desatino.

Não foi busca, nem foi pressa.

Muito menos reação.

Apenas surgiu.

E o coração desatado sentiu-se
novamente acomodado.

Aninhou-se com vontade.

Entregou-se com paixão.

Ficou feliz em sentir-se novamente acarinhado.

E apesar de tudo, não quer se ver
mais uma vez desatado.

Mas há o medo de que tanto desvario o deixe novamente desabitado.

Desvencilhado para sempre daquilo
que encontrou sem nunca ter procurado.

Cynthia Andrade





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No ar desde 01/07/2008






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