

Tanto eu queria de volta
o controle do meu coração,
segurar-lhe firmemente
o leme e fazê-lo seguir
por caminhos verdadeiros,
sem fugas, sem atalhos.
Queria que meu coração
batesse no compasso certo,
sem passo em falso,
sem se despir por inteiro.
Não quero um coração
sem fronteiras,
sem prudência,
sem pensar nas consequências.
Quero-o, entretanto,
livre de grilhões,
com a certeza de que
renunciará a seus sonhos loucos,
a suas vontades insanas.
Assim, se um dia julgado,
esse coração terá,
em sua defesa,
as carências imensas
que suportou,
as lutas que travou para
não se esquivar do seu caminho,
a compreensão que nunca teve.
E, se no banco de réus,
contará os seus anseios,
a renúncia de seus desejos,
dos mais inocentes
aos mais profanos.
Dirá, com tanta amargura,
sobre perdas, solidão,
recomeço e carência imensa.
Contará de suas
vontades reprimidas,
da sua humildade em
reconhecer seus erros,
de sua capacidade
imensa de amar,
da sua vontade de ser
amado na mesma medida.
E, finalizará dizendo que,
por toda a sua vida,
entre erros e acertos,
só procurou ser feliz.

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No ar desde 01/07/2008


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