Aquela não era uma noite especial.
Não havia nada a comemorar.
Mas ela se vestiu de festa para ele notar.
Claro que ele notou.
Notou que o filme da TV era reprisado.
Notou que, portanto, a sua noite estava perdida.
E ela, despindo-se da festa que
fizera em si mesma, deitou-se na solidão
de sua cama larga.
Abraçou seu travesseiro.
Apertou-o de encontro ao peito e chorou.
Ela só queria uma noite de felicidade,
uma noite como têm tantas outras mulheres,
que se deitam com os seus homens
e sentem o seu desejo ardente,
latente, saciado.
E chorou mais.
Era só o que ela queria:
ser uma mulher, como outra qualquer.

 





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