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Queria me enfeitar de carnaval.
Ser um sopro de purpurina.
Uma chuva de confetes coloridos.
Um monte feliz de serpentinas
jogadas ao vento.
Queria a sensação da
máscara que liberta,
da fantasia que deixa
soltas as emoções.
Queria ser o brilho
das lantejoulas e paetês.
Ser a colombina
de um pierrô apaixonado,
a única odalisca de um sultão
por mim enfeitiçado,
descansar o corpo nos braços
de um palhaço de
sorriso eternizado.
Apenas por quatro dias,
salvar dores que sufocam
meu coração e
ser intenso carnaval.
Encontrar pelas ruas
ternura, emoção,
paixão, desejo.
Um só carnaval.
Seria o tempo suficiente
para me reerguer...
até as cinzas retornarem
ao meu coração.
Cynthia Andrade
Em fevereiro de 2009.
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