Queria olhar para trás

e percorrer de volta

o caminho que vivemos.

Colocar nossos pés

nas marcas que deixamos.

Talvez, assim, eu não

sentisse esse vazio imenso.

Talvez, assim, você pudesse novamente fazer nascer

mil sóis dentro do meu coração.

Talvez, pelo caminho de volta,

encontrássemos o mesmo delírio, aquela paixão louca,

labaredas e vulcões que queimavam nossos corpos.

Quem sabe nessa ré da vida, aprenderíamos novamente
a saciar as vontades hoje apagadas.

Neste caminho ao passado,

eu tentaria trazer o nós

de quem tanto sinto saudade.

Resgataria todos os seus beijos, abraçaria mais apertado
todos os seus abraços, faria de sua respiração
em minha boca o único ar que me fizesse viver.

E, certamente, não permitiria que o futuro chegasse.

Não esse que é o nosso presente.

Este labirinto sem saída.

Corpos sem chamas que não mais explodem, que não incendeiam.

Corações sem ilusões.

Trajetórias sem o colorido da magia.

Ah, como eu queria que

a areia da ampulheta subisse e trouxesse de volta para nós

todo o amor que vivemos.

Como eu queria simplesmente virar o meu corpo
e seguir andando para trás de minha vida.
Como eu queria saber voltar.
 

 

 

Em 24 de novembro de 2007.

 


 





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