Talvez eu quisesse ser uma borboleta.

Um ovo. Uma larva. Uma pupa.

Tecer o meu próprio casulo.

De aparência frágil,

mas sólido e firme.

Tão firme como uma cerca de girassóis,

que me protegesse do mundo ainda desconhecido.

Sem som, sem luz,

eu iria me transformando.

Sem normas ou imposições.

Uma coisa viva no interior de

algo com aspecto de morto.

Até que um dia, modificada a natureza,

de dentro da crisálida eu voaria.

Feminina e desnuda.

De lindas cores enfeitada,

sendo levada pela leve brisa.

Voaria mundo afora,

provando de tudo um pouco.

Experimentando a vida.

Lá do alto.

Bem perto do infinito.

Mas antes que qualquer mal me atingisse,

antes que a feminilidade se fosse,

antes que as cores se apagassem,

antes que minhas asas perdessem a força,

antes que lembranças de vôos longínquos

me fizessem sofrer

ou mágoas me alcançassem,

eu simplesmente me deixaria apagar da vida.

Talvez eu quisesse ser uma borboleta

e ter a sua efemeridade de vida.
 


Em 17 de dezembro de 2007.





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