No primeiro momento,
foi uma sensação estática.
De que não era verdade.
De que não podia estar
acontecendo comigo.
Depois veio o desespero,
a sensação de que haviam
revirado o meu mundo,
mexido na minha história.
Entrado em minha vida
sem qualquer cerimônia.
Arrancado um pedaço de mim.
Em seguida, a dor.
Tanta.
Tão grande.
Tão indescritível.
Dor no coração.
Dor de saudade.
Dor física.
Te perder foi me perder
também.
E a dor de sua ausência era
como a dor fantasma de
um membro amputado.
Esse sentimento tão forte de
amor
se misturou em raiva,
em mágoa.
Te culpava por ter ido embora.
Te culpava por ter nos
abandonado.
Passadas a raiva e a mágoa,
tentando superar o sentimento
de abandono,
vieram a apatia e a certeza
de que não conseguiria seguir
sozinha.
Tiraram você da minha vida
e isso era como me engaiolar
em uma liberdade que eu não
queria,
era me colocar em uma
amplidão
grande demais para o meu
tamanho.
Te perder foi como ficar sem
asas,
com a alma ferida,
o coração sangrando,
a vida em frangalhos.
Te perder foi ficar nua para
a vida,
desprotegida,
sem vontade,
sem ar.
Te perder foi me sentir
aprisionada pela vida,
que não me deixava seguir com
você.




