|
Não sei dizer se naquela noite,
vinte e cinco anos atrás,
a lua estava bonita,
se as estrelas brilhavam
como hoje.
Nem sei se havia mesmo lua
ou estrelas ou se chovia.
Sei apenas que, naquela noite,
um vendaval passou
pela minha vida.
A princípio, senti o
meu coração despedaçado
e cacos afiados me
machucando por dentro,
como punhais me
dilacerando inteira.
Recobrando a consciência,
senti que o vendaval não me
arrebatara apenas o coração,
ferira-me a alma,
levara um pedaço de mim,
descortinara-me a vida,
deixando-me nua,
desprotegida,
sem ter onde me esconder.
Levaram o meu porto seguro.
Naquela noite, no dia de hoje,
tantos anos atrás,
com o coração ferido e os
olhos cegos de lágrimas,
não sei dizer se havia
lua ou estrelas,
mas, hoje, ainda com
o peito doído,
tenho a certeza de que,
naquela noite,
brilhou no céu a estrela
maior da nossa vida,
que nunca se perdeu
no infinito,
pois segue ao nosso lado,
com seu sorriso aberto,
sua alegria constante,
eternizando-se no
anjo de nós três.
Ouro Preto, 15 de setembro de 2009
Cynthia Andrade
|