

Me sinto à beira
do meu caminho.
À margem de mim.
É como se minha
vida passasse
e eu fosse
ficando
para trás.
Estática.
Ela indo ao ritmo
da areia que cai
e eu simplesmente
não
conseguindo
acompanhar o tic-tac do relógio.
A sensação é de
que tudo
parou à minha
volta
e eu nem consigo
perceber em que momento vivo.
Só sei que vivo
sem emoções.
Que dentro de mim
existe um oco.
O único som que
ouço é
o da minha
própria respiração que
emudece o mundo.
Sinto que há duas
realidades:
aquela que
acompanha
a minha vida
e esta outra,
um buraco em
branco e preto,
que estagnou
junto comigo.
Há um canto mudo
em meus lábios,
que se esqueceu
o entreabrir das
palavras.
Minha voz
desapareceu dentro do meu corpo e
não consigo
encontrá-la.
Em meus olhos,
lutam lágrimas quentes que não
permito deixar
cair.
Não quero meus
olhos mais enferrujados
do que já estão.
E assim vou
ficando.
Minha vida à
minha frente vai seguindo como
se tivesse
pressa.
Talvez procure
alguma coisa que me
livre dessa
apatia.
Talvez volte e me
leve com ela e me tire da margem de mim mesma.

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No ar desde 01/07/2008


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