Eles se enxergaram, apesar da escuridão daquela noite.
Naquele momento, os olhos não eram necessários,
viam-se com os da alma e do bem-querer.
Tantas palavras ditas,
poemas compartilhados,
músicas que ouviram apenas em pensamento.
Palavras escritas que o vento não levou.
Olhares de admiração intensa,
que enxergavam a alma e o coração,
mesmo sem nunca terem se visto.
E foi ali que se descobriram.
E foi assim que o amor cresceu.
Viviam do sonho de se encontrarem um dia.
E não pensavam em qualquer outra realidade.
Ela viria certamente.
Enquanto isso, amavam-se em pensamento.
Era onde seus corpos se tornavam um.
Onde era intensa a paixão, que, apesar de irreal,
deixava marcas na pele e principalmente no coração.
Seus caminhos, de tão paralelos, faziam com que
desobedecessem a vontade de seus corações e
ficassem surdos aos apelos
de suas almas e de seus corpos.
Eles se queriam e era tanto!
Queriam o abraço do outro
como refúgio para o resto de suas vidas.
Queriam o beijo do outro
para calar o grito de dor que
lhes machucava por dentro.
Mas a razão gritou mais alto.
E os caminhos continuaram
matematicamente paralelos.
Entretanto, as palavras ditas,
as músicas compartilhadas,
os sonhos vividos,
o carinho tanto querido,
tudo isso deixou marcas tão profundas,
que não serão apenas eternas,
serão além da vida.
 





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