Minhas palavras não sou ouvidas.

Se viram sussurros,

são abafadas pelos ruídos da nossa rotina.

 

Hoje nos perdemos

No silêncio de nós mesmos

 

Meus gritos de nada adiantam.

Nem chegam aos seus ouvidos.

Também não adianta falar.

Nem mesmo gritar.

 

Ouço teus gritos calado

Só não tenho o que falar!

Também tenho os meus gritos guardados...

 

Meus desejos e anseios

continuam não sendo saciados.

 

Me sinto tão frio

Nesse não querer você.

 

E surgem em mim.

Latejam.

Machucam.

 

Estou morto por dentro...

Sem desejos...

Não posso te atender.

 

Querem sair do meu corpo.

Querem ser conhecidos.

Querem ser explorados.

Querem explodir em gemidos,

em gotas de suor.

 

Queria poder te tomar em meus braços

Arrebatar teus desejos... Como antes.

Mas a chama se apagou.

 

Querem eclodir tamanha vontade.

Querem deixar de existir ...

Por terem chegado ao ápice de mim.

 

Deixei de ser teu amante

E tudo se consumiu.

Só restam nossos corações trucidados,

Implorando que essa tortura tenha fim.
 

 
 

Em 22 de março de 2007.





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